O nome do remetente é a parte mais fácil de falsificar num e-mail — o endereço verdadeiro fica escondido atrás dele
Chama-se phishing e é a porta de entrada da maioria das invasões. Três conferências de dez segundos revelam quase todos, sem entender de tecnologia.
Ver este passo a passo em telas, uma de cada vez
O e-mail chega com o nome do seu banco, o logotipo certo e um assunto que dá um aperto: pendência na conta, cadastro a atualizar, compra que você não fez.
Esse é o formato mais antigo e ainda o mais eficiente de golpe digital. E ele funciona por um detalhe simples: o nome que aparece no remetente é escrito por quem envia — qualquer pessoa pode se chamar “Banco do Brasil”.
A primeira conferência: o endereço real
O nome é fantasia; o endereço é fato. No celular, toque no nome do remetente para revelar o e-mail completo. No computador, ele costuma aparecer ao lado ou ao passar o mouse.
O que olhar é o que vem depois do arroba, lendo da direita para a esquerda até o primeiro ponto:
atendimento@bancox.com.br— o domínio é bancox.com.br. Plausível.bancox@seguranca-clientes.net— o domínio é seguranca-clientes.net. O nome do banco virou enfeite.atendimento@bancox.com.br.verificacao.info— o domínio é verificacao.info. Clássico.
Empresa grande manda do próprio domínio, curto e limpo. Palavra como “seguranca”, “verificacao” ou “suporte” grudada no nome da marca é sinal forte.
A segunda: para onde o link leva
Antes de clicar, dá para ver o destino. No computador, passe o mouse sobre o link e olhe o endereço que aparece embaixo. No celular, toque e segure — aparece o endereço completo sem abrir.
Vale a mesma leitura: o dono do site é o que vem antes da primeira barra. Se não for a empresa, não clique.
Mas existe uma regra melhor, que dispensa análise: não use o link do e-mail. Se a mensagem parecer legítima, abra o aplicativo ou digite o endereço do site você mesmo. Se a pendência existir, ela estará lá.
A terceira: o que está sendo pedido
Independentemente de o e-mail parecer verdadeiro, alguns pedidos nunca são legítimos:
- Digitar senha numa página aberta pelo link.
- Informar código recebido por SMS.
- Baixar anexo para “ver a fatura” ou “regularizar”.
- Pagar por Pix para pessoa física.
- Confirmar dados sob ameaça de bloqueio em 24 horas.
Esse último é o motor de tudo: a urgência existe para tirar o intervalo entre ler e clicar.
O anexo é o mais perigoso
Link rouba senha; anexo pode instalar programa. E o programa fica no aparelho depois que o e-mail é apagado.
Desconfie de anexo em mensagem que você não esperava, principalmente:
- Arquivos com terminação estranha — .exe, .scr, .bat, ou .zip com programa dentro.
- “Nota fiscal”, “boleto” e “comprovante” de compras que você não fez.
- Currículos e orçamentos, quando você não está contratando.
Nota fiscal verdadeira é PDF ou XML, e chega depois de uma compra que você reconhece.
Cliquei. E agora?
Depende do que aconteceu depois do clique:
- Só abriu a página e você fechou: risco baixo. Ainda assim, fique atento nos dias seguintes.
- Digitou a senha: troque a senha imediatamente, por OUTRO aparelho, e ligue a verificação em duas etapas. Se era a senha do banco, ligue para o banco.
- Baixou e abriu um anexo: desconecte da internet, troque as senhas por outro aparelho e desinstale o que não reconhecer.
- Informou dados de cartão: ligue para o banco pelo número atrás do cartão e peça bloqueio.
Em todos os casos, marque a mensagem como spam antes de apagar — isso ajuda o serviço a bloquear as próximas.
Por que eu recebo tantos
Porque o seu endereço está em listas que circulam depois de vazamentos. Não significa que sua conta foi invadida; significa que você existe numa planilha com milhões.
Isso também explica por que o e-mail às vezes acerta o seu nome e o seu banco. Não é vigilância — é a lista.
A defesa não é esconder o endereço, é ligar a verificação em duas etapas: com ela, mesmo a senha entregue não abre a conta.
E o e-mail que parece do próprio governo?
É uma variação frequente e mais convincente, porque usa brasão, cores oficiais e assuntos que a pessoa reconhece — benefício liberado, imposto pendente, multa registrada.
A conferência do endereço é a mesma, com um detalhe a favor: órgãos públicos federais usam domínios terminados em gov.br. Endereço com “gov” no meio do nome, mas terminando em outra coisa, é falso.
E vale a regra que dispensa análise: o governo não manda link por mensagem para resolver pendência. Confira no aplicativo oficial ou no site digitado por você.
Uma regra final que serve para tudo
Vale para e-mail, SMS e WhatsApp, e resolve sem precisar analisar nada:
Nunca resolva pelo canal que chegou até você. Sempre pelo canal que você abre.
Aplicativo instalado pela loja oficial, site digitado por você, telefone impresso atrás do cartão. Se o problema for real, ele está lá esperando.
De onde vem esta informação
Informação conferida nas fontes oficiais em .
Por Redação MOBRAL Digital — como apuramos